06 de fevereiro de 2025
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15,6% dos óbitos por Câncer de Mama no Brasil ocorrem antes dos 50 anos

15,6% dos óbitos por Câncer de Mama no Brasil ocorrem antes dos 50 anos
cancer de mama

Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado no Congresso Brasileiro de Câncer na Mulher, revelou que 15,6% das mortes por câncer de mama entre 2012 e 2022 ocorreram em mulheres de 40 a 49 anos. O dado reacende o debate sobre a idade ideal para iniciar o rastreamento da doença.

Rastreio precoce pode salvar vidas

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda a mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos. No entanto, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia defendem a mamografia anual a partir dos 40 anos, considerando que 25% dos diagnósticos de câncer de mama no Brasil ocorrem entre 40 e 50 anos.

“Se o rastreamento começa apenas após os 50 anos, negligenciamos um número expressivo de casos detectados em estágios mais agressivos”, alerta Rosemar Macedo, presidente da Comissão de Mastologia da Febrasgo.

Entre 2010 e 2014, 68,9% das pacientes de 40 a 49 anos diagnosticadas pelo SUS estavam nos estágios II e III da doença.

Precisão mamamografia e alternativas

A mamografia é menos eficaz em mulheres jovens devido à alta densidade mamária, o que pode gerar resultados falso-positivos. No entanto, especialistas apontam que, mesmo com limitações, o exame ainda é a melhor opção. “Entre não rastrear e rastrear apenas com mamografia, o último é melhor”, afirma o mastologista Amílcar Assis, do Hospital Sírio-Libanês. Em casos específicos, ultrassonografia e ressonância magnética podem complementar o diagnóstico.

Crescente mortalidade por câncer de mama

A análise da UFF mostrou um aumento de 40,8% nas mortes por câncer de mama na última década, passando de 13,7 mil óbitos em 2012 para 19,3 mil em 2022. As pacientes acima de 50 anos representam a maioria dos casos fatais (77,2%), mas mulheres de 40 a 49 anos somam 25,4 mil óbitos no período.

“Os dados reforçam a necessidade de revisão das diretrizes de rastreamento”, enfatiza Assis. “Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico e menor o custo do tratamento”.

Impacto social e necessidade de revisão das diretrizes

A pesquisadora Jenaine Godinho, uma das autoras do estudo, destaca que a alta mortalidade na faixa de 40 a 49 anos tem grande impacto social. “Estamos falando de mulheres que ainda estão em plena atividade profissional e familiar. O rastreamento precoce pode reduzir esses óbitos”.

Em 2022, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) registrou 73,6 mil novos casos da doença e 19,1 mil mortes. No mesmo ano, o SUS realizou 3,8 milhões de mamografias de rastreamento, sendo 26,3% em mulheres de 40 a 49 anos. Especialistas argumentam que a inclusão desse grupo nas diretrizes oficiais poderia aumentar a detecção precoce e reduzir a mortalidade.

Com a crescente incidência do câncer de mama, a revisão das diretrizes de rastreamento se torna uma necessidade urgente. O debate sobre ampliar o acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos continua, mas os dados mostram que essa mudança pode salvar milhares de vidas.