
Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado no Congresso Brasileiro de Câncer na Mulher, revelou que 15,6% das mortes por câncer de mama entre 2012 e 2022 ocorreram em mulheres de 40 a 49 anos. O dado reacende o debate sobre a idade ideal para iniciar o rastreamento da doença.
Rastreio precoce pode salvar vidas
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda a mamografia bienal para mulheres de 50 a 69 anos. No entanto, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Sociedade Brasileira de Mastologia e o Colégio Brasileiro de Radiologia defendem a mamografia anual a partir dos 40 anos, considerando que 25% dos diagnósticos de câncer de mama no Brasil ocorrem entre 40 e 50 anos.
“Se o rastreamento começa apenas após os 50 anos, negligenciamos um número expressivo de casos detectados em estágios mais agressivos”, alerta Rosemar Macedo, presidente da Comissão de Mastologia da Febrasgo.
Entre 2010 e 2014, 68,9% das pacientes de 40 a 49 anos diagnosticadas pelo SUS estavam nos estágios II e III da doença.
Precisão mamamografia e alternativas
A mamografia é menos eficaz em mulheres jovens devido à alta densidade mamária, o que pode gerar resultados falso-positivos. No entanto, especialistas apontam que, mesmo com limitações, o exame ainda é a melhor opção. “Entre não rastrear e rastrear apenas com mamografia, o último é melhor”, afirma o mastologista Amílcar Assis, do Hospital Sírio-Libanês. Em casos específicos, ultrassonografia e ressonância magnética podem complementar o diagnóstico.
Crescente mortalidade por câncer de mama
A análise da UFF mostrou um aumento de 40,8% nas mortes por câncer de mama na última década, passando de 13,7 mil óbitos em 2012 para 19,3 mil em 2022. As pacientes acima de 50 anos representam a maioria dos casos fatais (77,2%), mas mulheres de 40 a 49 anos somam 25,4 mil óbitos no período.
“Os dados reforçam a necessidade de revisão das diretrizes de rastreamento”, enfatiza Assis. “Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico e menor o custo do tratamento”.
Impacto social e necessidade de revisão das diretrizes
A pesquisadora Jenaine Godinho, uma das autoras do estudo, destaca que a alta mortalidade na faixa de 40 a 49 anos tem grande impacto social. “Estamos falando de mulheres que ainda estão em plena atividade profissional e familiar. O rastreamento precoce pode reduzir esses óbitos”.
Em 2022, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) registrou 73,6 mil novos casos da doença e 19,1 mil mortes. No mesmo ano, o SUS realizou 3,8 milhões de mamografias de rastreamento, sendo 26,3% em mulheres de 40 a 49 anos. Especialistas argumentam que a inclusão desse grupo nas diretrizes oficiais poderia aumentar a detecção precoce e reduzir a mortalidade.
Com a crescente incidência do câncer de mama, a revisão das diretrizes de rastreamento se torna uma necessidade urgente. O debate sobre ampliar o acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos continua, mas os dados mostram que essa mudança pode salvar milhares de vidas.