06 de fevereiro de 2025
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As evidências de Deterioração Cognitiva Pós-Cirúrgica

As evidências de Deterioração Cognitiva Pós-Cirúrgica
cognitiva

A disfunção cognitiva pós-operatória (DCPO) é um declínio nas funções do sistema nervoso central após uma cirurgia, afetando atenção, memória, aprendizado, função executiva, linguagem, habilidades viso espaciais e emocionais. A DCPO ocorre sem trauma craniano ou outras lesões cerebrais e pode atingir até 42,4% dos idosos submetidos a cirurgias complexas, como cardíacas e carotídeas.

A relação entre DCPO e doença de alzheimer

O Alzheimer, a forma mais comum de demência, pode ser agravado por intervenções cirúrgicas. A cirurgia pode desencadear uma demência subclínica, especialmente em pacientes que já apresentam alterações cognitivas não diagnosticadas. Embora não haja consenso sobre o impacto exato da anestesia e da cirurgia na progressão da doença, a relação entre DCPO e Alzheimer continua sendo um campo de intensa pesquisa.

Diagnóstico da DCPO

A DCPO pode ser confundida com delirium pós-operatório, que é um distúrbio transitório da consciência que ocorre poucos dias após a cirurgia. O diagnóstico da DCPO é realizado por meio de testes neurocognitivos, como Montreal Cognitive Assessment (MoCA), Wechsler Memory Scale (WMS) e Mini-Mental State Examination (MMSE).

Epidemiologia e fatores de risco

A DCPO é comum em pacientes submetidos a cirurgias cardíacas e ortopédicas. Entre os fatores de risco mais relevantes estão:

  • Idade: Pacientes acima de 65 anos são os mais vulneráveis, com 12,7% mantendo sintomas três meses após a cirurgia.
  • Tipo de Cirurgia: Procedimentos como artroplastias de quadril e joelho, cirurgias cardíacas e pulmonares apresentam maior risco.
  • Tipo de Anestesia: Estudos sugerem que a anestesia intravenosa com propofol reduz a incidência de DCPO em comparação com a anestesia inalatória.
  • Dor Pós-Operatória: A dor crônica no pós-operatório pode afetar a cognição, aumentando o risco de DCPO.

Pesquisas atuais e perspectivas

Estudos indicam que a DCPO pode estar relacionada à inflamação no sistema nervoso central, apoptose neuronal e alterações na proteína tau. Embora não existam medicamentos neuroprotetores eficazes, a identificação precoce de fatores de risco e uma avaliação cognitiva antes da cirurgia podem ajudar na tomada de decisões médicas e reduzir o impacto da DCPO.

Conclusão

A DCPO representa um desafio crescente para a medicina, especialmente em populações idosas. Com o avanço das pesquisas, novas estratégias de prevenção e tratamento poderão ser desenvolvidas, melhorando a qualidade de vida dos pacientes após cirurgias invasivas.