
O transplante uterino, após 14 anos de avanços, demonstra um índice significativo de sucesso, permitindo a gestação de crianças saudáveis. No entanto, o procedimento ainda apresenta desafios, incluindo complicações cirúrgicas tanto para as receptoras quanto para as doadoras.
Um estudo recente do Simmons Transplant Institute no Baylor University Medical Center, nos Estados Unidos, analisou 20 mulheres submetidas ao transplante uterino. Os resultados mostraram que, embora o procedimento seja eficaz, envolve riscos cirúrgicos consideráveis.
A evolução do transplante uterino
A técnica foi realizada com sucesso pela primeira vez em 2012 pelo Dr. Mats Brännström e sua equipe na Suécia. Desde então, mais de 100 procedimentos foram realizados globalmente, resultando em pelo menos 70 nascidos vivos. Na França, os três transplantes realizados foram conduzidos pelo Dr. Jean-Marc Ayoubi, todos com doadoras vivas.
Complicações e riscos envolvidos
O estudo publicado no JAMA analisou 20 mulheres com infertilidade uterina absoluta, 18 com doadoras vivas e 2 com doadoras falecidas. Todos os transplantes foram funcionais e 14 mulheres deram à luz pelo menos uma vez. No entanto, 11 receptoras enfrentaram complicações, incluindo:
- Hipertensão gestacional: 14% dos casos;
- Insuficiência istmocervical: 14% dos casos;
- Parto prematuro: 14% dos casos.
Apesar desses desafios, nenhum dos 16 bebês apresentou malformações congênitas.
As doadoras vivas também enfrentaram complicações, como deiscência da abóbada vaginal, impactação fecal, obstrução ureteral e lesões térmicas ureterais. Embora nenhuma tenha desenvolvido sequelas a longo prazo, as complicações reforçam a necessidade de avanços na técnica e o aumento do uso de doadoras falecidas.
O Futuro do transplante uterino
A tendência é que mais equipes adquiram expertise no procedimento, elevando as taxas de sucesso. O grupo do Dr. Mats Brännström já alcançou 90% de eficácia, evidenciando o impacto da curva de aprendizado.
Na França, um novo programa de pesquisa clínica prevê 16 transplantes no Centre Hospitalier Universitaire de Rennes, com recrutamento em andamento e priorização de doadoras falecidas para reduzir riscos.
Considerações finais
O transplante uterino representa uma revolução na medicina reprodutiva, permitindo a maternidade para mulheres com infertilidade uterina absoluta. No entanto, os desafios cirúrgicos exigem cautela e aprimoramento técnico. O avanço na qualificação das equipes médicas e a priorização de doadoras falecidas podem minimizar riscos e ampliar o acesso ao procedimento.