06 de fevereiro de 2025
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Mamografia não detecta: o perigo oculto do câncer de ovário

Mamografia não detecta: o perigo oculto do câncer de ovário
câncer ovário

O câncer de ovário é uma doença silenciosa e altamente letal. De acordo com um estudo recente do Reino Unido, uma em cada sete mulheres diagnosticadas falece em até dois meses. No entanto, quando detectado precocemente, a taxa de sobrevivência chega a 90%. Infelizmente, dois terços dos diagnósticos ocorrem em estágios avançados, quando o tratamento é mais difícil.

Por que o diagnóstico do câncer de ovário é tardio?

Muitos fatores contribuem para a demora no diagnóstico:

  • Sintomas inespecíficos: As manifestações podem ser confundidas com condições gastrointestinais ou urinárias.
  • Desconhecimento dos sinais: Muitas mulheres não reconhecem os sintomas ou os associam ao climatério.
  • Falta de rastreamento específico: Diferente do câncer de colo do útero, não existe um exame de rotina eficaz para detectar precocemente o câncer de ovário.

Mamografia e papanicolau detectam câncer de ovário?

Um equívoco comum é acreditar que exames como o Papanicolau ou a mamografia podem diagnosticar o câncer de ovário. De acordo com a American Cancer Society, o exame pélvico pode ajudar a identificar alterações nos ovários, mas a maioria dos tumores iniciais são impossíveis de serem palpados.

Principais sinais de alerta

Os sintomas do câncer de ovário podem ser sutis e frequentes. O National Institute for Health and Care Excellence recomenda estar atento a sinais persistentes, especialmente se ocorrerem mais de 12 vezes ao mês e em mulheres com 50 anos ou mais:

  • Saciedade precoce e/ou perda de apetite;
  • Aumento do volume abdominal;
  • Dor pélvica ou abdominal;
  • Urgência ou frequência urinária.

Outros sintomas incluem:

  • Alterações intestinais (diarreia ou constipação);
  • Fadiga extrema;
  • Perda de peso inexplicável;
  • Ganho de peso repentino devido à ascite (acúmulo de líquido na cavidade abdominal).

O desafio do diagnóstico nos EUA e no mundo

Segundo o Dr. Ernst Lengyel, presidente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UChicago Medicine, a realidade nos EUA é semelhante à do Reino Unido. O diagnóstico tardio ocorre porque os sintomas são inespecíficos e podem ser confundidos com mais de 100 doenças diferentes.

Nos EUA, o acesso a exames de imagem é mais fácil, mas ainda não existe um teste de rastreamento eficaz. O exame de sangue CA-125, que mede a presença de uma proteína associada ao câncer de ovário, não é confiável para rastreamento, pois também pode indicar outras condições. Estudos demonstram que exames seriados de CA-125 e ultrassonografia não aumentam a sobrevida.

A importância da atenção primária

A Dra. Victoria Barber, do programa Target Ovarian Cancer, alerta para a importância de médicos e enfermeiros na identificação precoce do câncer de ovário.

Ela recomenda que nunca se diagnostique síndrome do intestino irritável ou bexiga hiperativa em mulheres acima de 50 anos sem antes descartar o câncer de ovário.

Além disso, é essencial que profissionais de saúde valorizem queixas recorrentes de pacientes, pois muitas vezes os sintomas são tratados como inespecíficos ou psicossomáticos, retardando o diagnóstico.

Conclusão

O câncer de ovário é uma doença silenciosa e letal, cujo prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico precoce. Estar atento aos sintomas persistentes e capacitar profissionais de saúde para reconhecer sinais de alerta é fundamental para reduzir as altas taxas de mortalidade.

Se você notar algum dos sintomas listados, procure um médico imediatamente. O diagnóstico precoce pode salvar vidas!