05 de fevereiro de 2025
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Covid Longa e o impacto da doença nos mais jovens e adultos

Covid Longa e o impacto da doença nos mais jovens e adultos
Covid

John Bolecek, um planejador urbano de 41 anos, foi diagnosticado com covid longa em maio de 2022. Apesar de ter apresentado apenas sintomas leves da infecção aguda, a fadiga extrema persistiu mesmo após a recuperação dos seus familiares.

“Quando acordo de manhã, sinto como se não tivesse dormido nada”, relata John. A exaustão constante obrigou-o a abandonar o trabalho e limitar até mesmo atividades básicas, como caminhadas leves. O impacto da doença também afetou sua rotina familiar, exigindo que sua esposa assumisse todas as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos.

O Grupo Mais Afetado Pela Covid Longa

O caso de John reflete uma tendência alarmante: jovens adultos e pessoas de meia-idade estão entre os mais afetados pela covid longa. Segundo os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos EUA, a doença acomete 6,9% dos adultos entre 18 e 34 anos e 8,9% dos adultos entre 35 e 49 anos. Em comparação, apenas 4,1% dos idosos acima de 65 anos apresentam sintomas persistentes.

Estudos recentes, como o publicado no Scientific Reports, mostram que, embora pacientes idosos apresentem sintomas mais graves, os jovens adultos têm maior propensão a desenvolver sintomas que comprometem sua produtividade e qualidade de vida. Isso pode estar ligado ao fato de serem mais ativos profissionalmente e pessoalmente, tendo uma rotina intensa que agrava os efeitos da doença.

Impacto na Produtividade e na Vida Pessoal

A covid longa afeta drasticamente a capacidade de trabalho. Um estudo publicado em agosto de 2023 no Lancet Regional Health revelou que 5,8% dos pacientes com covid longa precisaram mudar sua jornada de trabalho, enquanto 1,6% tiveram que abandonar completamente suas atividades profissionais.

A dificuldade de acesso a tratamento também agrava a situação. Pacientes de meia-idade frequentemente enfrentam limitações de tempo e recursos financeiros para buscar atendimento médico adequado. Um estudo do Disability and Health Journal (outubro de 2024) indicou que indivíduos com covid longa sofrem maior instabilidade financeira e dificuldades para manter despesas básicas, como aluguel e hipoteca.

Desafios no Acesso a Benefícios por Invalidez

Para muitos pacientes, garantir um benefício por invalidez é um grande desafio. Processos burocráticos e a falta de exames laboratoriais específicos para comprovar a doença tornam a solicitação complexa. Apesar de a covid longa ser reconhecida como uma deficiência pelo Americans with Disabilities Act desde 2021, muitos pedidos são negados.

“Isso é absurdo, pois os CDC não exigem um exame laboratorial para o diagnóstico da covid longa. O diagnóstico é essencialmente clínico”, afirma o Dr. David Putrino, especialista no tema e diretor do Cohen Center for Recovery from Complex Chronic Illness.

Qualidade de Vida em Risco

O impacto da covid longa muitas vezes passa despercebido, pois os pacientes não têm um histórico de sintomas graves durante a infecção inicial. O Dr. Ziyad Al-Aly, pesquisador no Veterans Affairs St. Louis Health Care System, destaca que a doença compromete profundamente a qualidade de vida e a produtividade, mesmo sem um diagnóstico formal.

John Bolecek vive essa realidade. Além de não conseguir trabalhar, ele enfrenta dificuldades para realizar tarefas simples e viu sua vida social desaparecer, já que não consegue mais andar de bicicleta, sua grande paixão. Apesar dos desafios, ele encontra apoio na família e se mantém otimista.

“Não sei onde estaria sem minha esposa e filhos”, diz John. Sua história reflete um problema de saúde pública que exige mais reconhecimento, pesquisa e suporte para os pacientes afetados pela covid longa.