14 de fevereiro de 2025
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Imunoterapia revoluciona combate à asma

Imunoterapia revoluciona combate à asma
Bombinha de asma

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e a Associação Médica Brasileira (AMB) publicaram, no final de 2024, novas diretrizes para o uso da imunoterapia com alérgenos no tratamento da asma alérgica.

Importância das novas diretrizes

A asma alérgica é um problema de saúde pública que afeta mais de 250 milhões de pessoas no mundo. As recomendações, publicadas na Revista da AMB, baseiam-se em uma revisão sistemática de estudos clínicos randomizados dos últimos 30 anos.

Os especialistas da ASBAI e AMB analisaram 51 estudos clínicos sobre imunoterapia com alérgenos (ácaros e pólens), envolvendo 5.148 participantes. O consenso indica que tanto a imunoterapia subcutânea (ITSC) quanto a sublingual (ITSL) são eficazes e seguras para crianças e adultos.

Quem pode prescrever a imunoterapia?

Segundo o Dr. Fernando Aarestup, membro do Departamento de Imunoterapia da ASBAI, essa terapia consiste na administração de extratos alergênicos específicos, por ITSC ou ITSL, durante um período de três a cinco anos. Apenas médicos especialistas em alergia e imunologia ou com atuação em alergia pediátrica podem prescrevê-la.

Indicação da imunoterapia

A realização de testes alérgicos (Prick Test) ou a pesquisa de IgE sérica específica são obrigatórias para identificar pacientes com asma alérgica. A imunoterapia age na causa da doença, promovendo uma resposta imunológica modificada e possibilitando a remissão prolongada da asma.

Contraindicações importantes

As diretrizes ressaltam que a imunoterapia não é recomendada para:

  • Pacientes com asma mal controlada ou FEV1 abaixo de 70%;
  • Portadores de doenças imunológicas, infecciosas ou neoplásicas graves;
  • Outras condições que exigem avaliação específica.

ITSC x ITSL: Principais diferenças

  • Idade recomendada: ITSL pode ser utilizada a partir dos 2 anos, enquanto a ITSC é indicada apenas a partir dos 5 anos.
  • Segurança e aplicação: ITSL tem menos riscos e pode ser aplicada em casa; ITSC exige supervisão médica devido ao risco de reações adversas.
  • Frequência: ITSL é administrada diariamente, enquanto a ITSC tem manutenção mensal.

Disponibilidade no Brasil

A imunoterapia tem um custo elevado e ainda não conta com cobertura total nos sistemas público e privado. Alguns hospitais-escola oferecem o tratamento, e a ASBAI trabalha junto ao governo para ampliar o acesso pelo SUS.

Conclusão

A imunoterapia com alérgenos representa um avanço significativo no controle da asma alérgica, sendo um tratamento seguro e eficaz. Com a implementação das novas diretrizes, espera-se melhorar o acesso e os resultados clínicos para milhares de pacientes.