06 de fevereiro de 2025
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Dor Crônica: entenda os motivos de estar atingindo níveis recordes

Dor Crônica: entenda os motivos de estar atingindo níveis recordes
Dor Crônica

A dor crônica está em ascensão nos Estados Unidos, impactando milhões de pessoas e limitando suas vidas diárias. De acordo com um relatório do National Center for Health Statistics (NCHS) dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), em 2023, 24,3% dos adultos norte-americanos relataram dor crônica, e 8,5% enfrentaram dor incapacitante que restringiu suas atividades diárias.

Os dados mostram que a dor crônica aumenta com a idade e é mais prevalente em áreas menos urbanizadas. Além disso, as mulheres são mais propensas a desenvolver dor incapacitante em comparação com os homens (23,2% contra 7,3%).

Principais fatores que impulsionam o aumento da dor crônica

A dor crônica, assim como a obesidade, tem causas multifatoriais e requer um tratamento multidisciplinar. Segundo o Dr. Jianguo Cheng, professor de anestesiologia da Cleveland Clinic, fatores genéticos, biológicos e psicossociais podem desencadear dores persistentes, muitas vezes desproporcionais à lesão inicial.

Além do envelhecimento da população, a obesidade também desempenha um papel central nesse aumento. O Dr. Martin Cheatle, da University of Pennsylvania, aponta que mais de 100 milhões de americanos sofrem de obesidade, fator de risco para doenças dolorosas como artropatias, lombalgia e neuropatia diabética.

A psicóloga Dra. Beth Darnall, da Stanford University, ressalta que a dor crônica impacta todas as faixas etárias, com aumentos significativos entre jovens adultos. Segundo o NCHS, houve um crescimento de 4% na prevalência de dor crônica entre adultos de 18 a 29 anos, evidenciando a necessidade de tratamentos eficazes para essa população.

A crise dos opioides e a pandemia de COVID-19

A crise dos opioides teve um impacto significativo na gestão da dor nos EUA. Desde 2016, em resposta à epidemia de dependência, as prescrições de opioides caíram 50%. No entanto, essa redução levou ao aumento de mortes por overdose de opioides obtidos ilegalmente, como fentanila e heroína.

A pandemia de COVID-19 agravou a situação, limitando o acesso a tratamentos e promovendo um estilo de vida mais sedentário, o que resultou em ganho de peso e agravamento da dor crônica. O isolamento social e a ansiedade também contribuíram para a piora dos quadros dolorosos.

Melhores abordagens para o tratamento da dor crônica

Os especialistas defendem uma abordagem biopsicossocial para o tratamento da dor, indo além da medicina tradicional. Técnicas como terapia cognitivo-comportamental, fisioterapia, acupuntura e meditação têm demonstrado eficácia no alívio da dor.

O programa Empowered Relief, já implementado em algumas clínicas nos EUA, oferece treinamentos rápidos para ensinar técnicas de alívio da dor, incluindo exercícios de respiração, relaxamento e controle da ansiedade.

Prevenção e futuro do tratamento da dor crônica

Mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenir e reduzir a dor crônica. Manter um peso saudável, praticar atividades físicas, priorizar o sono de qualidade e evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool são estratégias essenciais para melhorar a saúde e reduzir os riscos de dor persistente.

O futuro do tratamento da dor crônica inclui avanços em bioengenharia, neuromodulação e biomarcadores para diagnóstico precoce. No entanto, especialistas alertam que a falta de cobertura dos planos de saúde para terapias alternativas ainda é um grande obstáculo para um tratamento mais abrangente.

Para reduzir o impacto da dor crônica, é essencial ampliar o acesso a terapias baseadas em evidências e investir na formação de profissionais de saúde para um manejo mais eficaz da dor. Com estratégias adequadas, é possível melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas afetadas por essa condição debilitante.