
A crença de que correr maratonas pode levar ao desgaste articular e aumentar o risco de osteoartrite foi desmentida por um estudo recente. A pesquisa revelou que não há relação entre a prática de corrida de longa distância e o desenvolvimento da condição, independentemente da frequência, ritmo ou distância percorrida.
Principais descobertas do estudo
Apresentado na Reunião Anual de 2023 da American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), o estudo analisou 3.804 corredores das edições de 2019 e 2020 da Maratona de Chicago, nos EUA. Os participantes foram questionados sobre histórico de treinamento, distância percorrida semanalmente, ritmo de corrida e fatores de risco para osteoartrite, como:
- História familiar da doença
- IMC elevado
- Lesões prévias no joelho ou quadril
- Idade avançada
A análise indicou que a osteoartrite foi mais prevalente entre corredores com histórico de cirurgias no joelho ou quadril, bem como aqueles que apresentaram lesões nessas articulações que os impediram de correr. No entanto, fatores como o número de maratonas completadas, o tempo de prática da corrida e a distância percorrida semanalmente não demonstraram aumentar o risco da doença.
A opinião dos especialistas
O Dr. Matthew Hartwell, ortopedista da University of California e líder do estudo, destacou que corredores sem lesões ou histórico de cirurgias podem continuar treinando sem preocupação. “Provavelmente não há uma relação direta entre a corrida e o desgaste articular progressivo”, afirmou.
Apesar das evidências científicas, 24,2% dos corredores afirmaram ter recebido recomendações médicas para reduzir ou interromper a prática da corrida. No entanto, 94,2% dos participantes declararam que pretendem correr mais uma maratona.
O que dizem outras pesquisas?
A relação entre corrida e osteoartrite tem sido tema de debate científico há anos. Uma meta-análise de 2017 sugeriu que corredores competitivos tinham maior incidência da doença do que corredores recreativos. Já um estudo de 2018 apontou que a osteoartrite era menos frequente entre maratonistas do que na população geral.
A Dra. Grace Hsiao-Wei Lo, da Baylor College of Medicine, ressaltou que comparar maratonistas com indivíduos sedentários poderia esclarecer melhor se a corrida impacta negativamente as articulações.
“A osteoartrite tem um desenvolvimento longo e estudar sua progressão exige pesquisas de longo prazo”, explicou.
A corrida é segura?
Embora o estudo não determine se a corrida pode prevenir a osteoartrite, ele reforça que a prática não é um fator de risco direto para o problema. O Dr. Brett Toresdahl, especialista do Hospital for Special Surgery, acredita que pesquisas futuras devem explorar como a corrida influencia a saúde articular e geral ao longo do tempo.
“É possível que correr traga benefícios para a saúde global e seja, no mínimo, neutra para as articulações”, afirmou.
Com isso, corredores podem continuar treinando com segurança, desde que respeitem os limites do corpo e evitem sobrecargas excessivas.