
O risco cardiovascular em mulheres é influenciado não apenas por fatores clássicos, como hipertensão, diabetes e tabagismo, mas também por fatores emergentes, como aspectos socioeconômicos, psicoemocionais, histórico de complicações gestacionais e doenças inflamatórias crônicas. Esses determinantes podem aumentar significativamente o risco cardiovascular e precisam ser considerados em consultas médicas para um tratamento mais eficaz e personalizado.
Fatores de risco emergentes
Durante o 50º Congresso Argentino de Cardiologia (SAC24), especialistas destacaram que a inclusão desses fatores emergentes na avaliação de risco cardiovascular pode alterar significativamente a classificação de risco das pacientes, influenciando estratégias preventivas e terapêuticas.
Diferentemente dos fatores clássicos, como obesidade, hipertensão e diabetes, esses novos fatores não são incluídos em calculadoras tradicionais de risco cardiovascular. Por isso, é essencial que os profissionais de saúde estejam atentos a esses aspectos e os investiguem ativamente durante as consultas.
Estudo inédito na América Latina
Um estudo recente analisou a influência de determinantes socioeconômicos e psicossociais no risco cardiovascular de mulheres latino-americanas. Com cerca de 5.000 participantes de 20 países, os resultados revelaram que fatores como distúrbios do sono, residência em áreas pouco populosas, exposição à violência no trabalho, ansiedade e histórico de complicações gestacionais estão associados independentemente ao aumento do risco cardiovascular.
Impacto dos determinantes socioeconômicos
Os fatores socioeconômicos exercem um papel determinante na saúde cardiovascular das mulheres. A exposição à pobreza, falta de acesso à saúde e condições precárias de trabalho estão entre os principais desafios. Dados indicam que muitas mulheres enfrentam barreiras significativas ao acesso a alimentos saudáveis, atividade física e atendimento médico, aumentando sua vulnerabilidade a doenças cardiovasculares.
A prevenção eficaz exige ações coletivas envolvendo governos, instituições de saúde e a sociedade para reduzir desigualdades e promover melhores condições de vida e trabalho para as mulheres.
Doenças inflamatórias crônicas e risco cardiovascular
As doenças inflamatórias crônicas, como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e esclerose sistêmica, afetam desproporcionalmente as mulheres e são reconhecidas como fatores de risco cardiovascular emergentes. Estudos indicam que a inflamação sistêmica crônica pode acelerar o desenvolvimento da aterosclerose e aumentar a incidência de eventos cardiovasculares graves.
Complicações gestacionais e risco cardiovascular
Histórico de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional estão associados a um risco significativamente maior de doença cardiovascular. Mulheres que apresentaram essas condições durante a gravidez devem ser monitoradas de perto, pois estudos mostram que o risco de desenvolver insuficiência cardíaca aumenta em até 70% após a gestação.
Conclusão
A prevenção e o tratamento das doenças cardiovasculares em mulheres precisam ir além dos fatores clássicos de risco, incorporando determinantes psicossociais, socioeconômicos e históricos de saúde reprodutiva. O reconhecimento desses fatores permite um tratamento mais assertivo e personalizado, reduzindo a incidência de doenças cardiovasculares e melhorando a qualidade de vida das mulheres.
Profissionais de saúde devem estar preparados para identificar e abordar esses riscos, garantindo um atendimento mais completo e eficaz. O fortalecimento de políticas de prevenção e o aumento da conscientização sobre esses fatores emergentes são passos essenciais para reduzir a desigualdade e melhorar a saúde cardiovascular feminina.