05 de fevereiro de 2025
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Mudanças climáticas aumentam casos de asma infantil em 34%

Mudanças climáticas aumentam casos de asma infantil em 34%
bombinha de asma

As mudanças climáticas estão impactando significativamente a saúde infantil, especialmente no que diz respeito às alergias e à asma. O aumento das temperaturas globais, a piora na qualidade do ar e as mudanças nos padrões climáticos contribuem para o agravamento de doenças respiratórias em crianças. 

Os pediatras têm um papel essencial na compreensão desses impactos e na orientação das famílias sobre como minimizar os riscos. Neste artigo, é apresentado como os pediatras podem se preparar para os desafios climáticos emergentes e garantir um atendimento mais eficaz aos seus pacientes.

Conectando mudanças Climáticas e saúde infantil

As mudanças climáticas estão diretamente ligadas a fatores que exacerbam condições alérgicas e respiratórias em crianças. Entre os principais fatores ambientais que influenciam essas condições, destacam-se:

  • Aumento da poluição do ar: A queima de combustíveis fósseis e a intensificação de incêndios florestais liberam partículas finas e outros poluentes, como dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, que irritam as vias respiratórias. Crianças são particularmente vulneráveis devido ao seu sistema respiratório ainda em desenvolvimento e à maior taxa de ventilação por minuto em comparação com adultos.
  • Mudanças nos padrões climáticos: Verões mais longos e invernos mais curtos alteram a sazonalidade dos alérgenos, prolongando a exposição ao pólen e a outros gatilhos ambientais. Além disso, o aumento do CO₂ na atmosfera favorece a produção de pólen em algumas espécies de plantas, intensificando os sintomas alérgicos.
  • Aumento da umidade: Condições mais úmidas favorecem o crescimento de ácaros, fungos e mofo dentro das residências e escolas. A exposição contínua a esses alérgenos pode desencadear episódios de asma e agravar doenças respiratórias pré-existentes.
  • Eventos climáticos extremos: Tempestades, inundações e ondas de calor podem piorar a qualidade do ar, dispersando partículas poluentes e causando um aumento no número de visitas a serviços de emergência pediátricos. Além disso, enchentes podem levar ao crescimento de mofo em residências, piorando os sintomas de crianças com predisposição alérgica.

Estudos demonstram que um aumento de 2ºC na temperatura global pode levar a 34.500 casos adicionais de asma infantil por ano e 228.000 novos casos de rinite alérgica, agravando os desafios de saúde infantil em diversas regiões. Esses números ressaltam a necessidade de ações preventivas e educativas por parte dos profissionais de saúde.

Papel do Pediatra na Orientação Familiar

Os pediatras desempenham um papel crucial na conscientização das famílias sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde infantil. Algumas estratégias incluem:

  • Educação: Explicar de forma clara e acessível como mudanças ambientais afetam alergias e asma, capacitando os pais para identificar gatilhos ambientais e tomar medidas preventivas em casa e na escola.
  • Mitigação: Sugerir medidas práticas para reduzir a exposição das crianças a poluentes e alérgenos, como manter janelas fechadas em dias de alta poluição, instalar filtros de ar de alta eficiência (MERV 13 ou superior) e evitar atividades ao ar livre durante períodos de alta concentração de pólen.
  • Adaptação: Recomendar estratégias para melhorar a qualidade do ar interno, incluindo o uso de desumidificadores para evitar o crescimento de mofo, a lavagem frequente de roupas de cama e o uso de aspiradores de pó com filtros HEPA.
  • Promoção de hábitos saudáveis: Incentivar a prática de atividades físicas em ambientes controlados, como ginásios e piscinas cobertas, e a adoção de uma alimentação equilibrada rica em antioxidantes, que pode reduzir inflamações nas vias aéreas e melhorar a resposta imunológica das crianças.

Como Ajustar o Atendimento Clínico

O atendimento pediátrico precisa evoluir para considerar os impactos das mudanças climáticas na saúde respiratória infantil. Algumas recomendações incluem:

  • Alergias e Asma: Monitorar pacientes asmáticos de forma mais proativa, considerando tratamentos preventivos como a imunoterapia para crianças com alergias graves. Além disso, revisar regularmente os planos de ação para asma, garantindo que as famílias saibam como agir em caso de crises.
  • Qualidade do Ar: Alertar os pais sobre os riscos da poluição e sugerir medidas para melhorar a qualidade do ar interno. Isso inclui evitar o uso de produtos de limpeza com compostos orgânicos voláteis, manter a ventilação adequada e investir em purificadores de ar.
  • Preparação para Desastres: Aconselhar as famílias a manterem um suprimento adequado de medicamentos de emergência e inaladores em casa, especialmente em regiões propensas a desastres climáticos. Também é importante educar sobre sinais de agravamento da asma que requerem atenção médica imediata.
  • Uso de Tecnologias e Aplicativos: Incentivar os pais a monitorarem os níveis de poluição e qualidade do ar em tempo real por meio de aplicativos e a planejarem atividades ao ar livre com base nessas informações. Aplicativos como AirVisual e Plume Labs ajudam a prever picos de poluição e a minimizar a exposição infantil.

A Importância da Defesa e Ação Coletiva

Além de atuar no atendimento clínico, pediatras também desempenham um papel fundamental na advocacia por políticas públicas que protejam a saúde infantil contra os impactos das mudanças climáticas. Algumas ações importantes incluem:

  • Engajamento em discussões públicas: Participar de debates e grupos de trabalho sobre qualidade do ar e mudanças climáticas, trazendo perspectivas médicas baseadas em evidências.
  • Apoio a iniciativas sustentáveis: Defender políticas que promovam a redução de emissões de carbono e a criação de áreas verdes nas cidades, o que contribui para a melhoria da qualidade do ar e reduz os impactos das ilhas de calor urbanas.
  • Educação comunitária: Envolver-se em programas de conscientização ambiental voltados para escolas e comunidades, promovendo o conhecimento sobre prevenção e mitigação de doenças respiratórias e incentivando práticas sustentáveis desde a infância.
  • Parcerias com instituições de saúde e pesquisa: Colaborar com universidades e organizações científicas para a produção de estudos que embasem políticas de saúde ambiental e para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para doenças respiratórias infantis.

Conclusão

A interseção entre mudanças climáticas e doenças respiratórias infantis é um desafio crescente que exige ações proativas por parte dos pediatras. Ao adotar estratégias baseadas em evidências, informar as famílias e se engajar na defesa da saúde infantil, os pediatras podem ajudar a mitigar os impactos das mudanças climáticas e garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações. 

A conscientização e a ação conjunta entre profissionais de saúde, formuladores de políticas e comunidades são essenciais para enfrentar esse problema global e proteger as crianças dos riscos ambientais emergentes.