06 de fevereiro de 2025
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Os riscos elevados no tratamento de fraturas em idosos

Os riscos elevados no tratamento de fraturas em idosos
tratamento de fraturas em idosos

A prevenção de fraturas em idosos é um desafio significativo. Embora o diagnóstico precoce de baixa densidade óssea seja essencial, 80% dos norte-americanos mais velhos que sofrem fraturas não são testados ou tratados para osteoporose.

As fraturas associadas ao envelhecimento geram impactos severos na qualidade de vida dos pacientes e resultam em altos custos para o sistema de saúde, segundo o relatório Bone Health and Osteoporosis: A Report of the Surgeon General. No entanto, há falhas consideráveis na educação dos pacientes e na realização de exames preventivos.

Falhas no diagnóstico e rastreio da osteoporose

De acordo com a Dra. Meryl S. LeBoff, endocrinologista do Brigham and Women’s Hospital e professora da Harvard Medical School, é preocupante que pacientes com alto risco de fratura não sejam examinados adequadamente e não recebam informações sobre prevenção. Além disso, homens e mulheres em situação de risco frequentemente não são submetidos a exames ou tratados com terapias eficazes aprovadas pelo FDA.

Atualmente, a triagem com densitometria óssea (DEXA) é recomendada para mulheres a partir dos 65 anos e homens aos 70 anos. No entanto, qualquer fratura em indivíduos acima dos 50 anos deve ser um indicativo de avaliação da densidade óssea.

Segundo a Dra. Kendall F. Moseley, da Johns Hopkins Medicine, “uma fratura em idosos deve ser vista como um ataque cardíaco”, pois a fragilidade óssea geralmente ocorre de forma silenciosa. A Dra. Jennifer J. Kelly reforça que fraturas sem trauma significativo são motivo suficiente para a realização de um exame DEXA.

Para o Dr. Nahid J. Rianon, da UTHealth McGovern Medical School, qualquer fratura em um paciente com mais de 50 anos justifica o rastreio para osteoporose. Ele acrescenta que, se a fratura não for traumática, o diagnóstico clínico de osteoporose já pode ser feito independentemente dos resultados do exame.

Caso a DEXA não esteja acessível, o risco de fratura pode ser estimado com a calculadora online FRAX. Nos EUA, um risco de 3% de fratura de quadril pelo FRAX é suficiente para iniciar o tratamento.

Tratamento e desafios na consolidação de fraturas

O tratamento de fraturas em idosos enfrenta desafios adicionais, pois a idade avançada pode retardar a consolidação óssea e aumentar o estado pró-inflamatório sistêmico. Segundo um estudo publicado no Current Osteoporosis Reports, a perda de massa muscular também influencia a recuperação, embora ainda não haja consenso sobre como fatores metabólicos afetam esse processo.

Apesar desses desafios, a Dra. Kelly destaca que fraturas em idosos não são necessariamente mais difíceis de consolidar, desde que não haja osteoporose. O sucesso da cicatrização depende mais da saúde geral do paciente do que da idade isoladamente.

Principais l;ocais de fratura

  • Coluna vertebral: é o local mais comum para fraturas por fragilidade. A maioria melhora em três meses sem tratamento invasivo, mas em casos graves, pode ser necessária cifoplastia ou vertebroplastia.
  • Quadril: as fraturas mais perigosas, associadas a um risco de morte de até 20% no primeiro ano. A maioria requer cirurgia, podendo envolver substituição do quadril ou fixação com parafusos e hastes.
  • Punho: fraturas distais do rádio podem ser tratadas com imobilização ou cirurgia, sem diferenças significativas nos resultados, segundo estudos.
  • Ombro e braço: comumente tratadas sem cirurgia, mas indicam alto risco de fraturas futuras.

Medicamentos para a densidade óssea

Mesmo sem osteoporose diagnosticada, anabolizantes como abaloparatida (Tymlos) e teriparatida (Forteo) podem ser indicados para casos com mau prognóstico de consolidação. O romosozumabe (Evenity) demonstrou eficácia na redução de fraturas em mulheres idosas com alto risco.

Recuperação e prevenção de novas fraturas

Após a recuperação, é essencial que idosos adotem medidas para fortalecer os ossos e evitar novas fraturas. O Dr. Willy M. Valencia, da Cleveland Clinic, recomenda:

  • Exercícios físicos: práticas que aumentam massa óssea, força muscular e equilíbrio são fundamentais para prevenir quedas.
  • Dieta rica em cálcio e vitamina D: nutrientes essenciais para a saúde óssea.
  • Modificações no ambiente: adaptações como eliminação de tapetes soltos, instalação de corrimãos e melhor iluminação reduzem riscos de quedas.

Papel do médico primário

Os médicos de atenção primária têm um papel essencial tanto no rastreamento da osteoporose quanto no acompanhamento pós fratura. O Dr. Rianon enfatiza que os fatores de risco devem ser considerados no histórico do paciente, enquanto a Dra. Moseley alerta para a necessidade de priorizar a saúde óssea na prática clínica.

A adoção de medidas preventivas e um tratamento adequado são essenciais para garantir qualidade de vida e reduzir os impactos das fraturas em idosos.