05 de fevereiro de 2025
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Pressão arterial: diretrizes são as mesmas da década de 1930

Pressão arterial: diretrizes são as mesmas da década de 1930
pressão arterial

As diretrizes para o controle da pressão arterial evoluíram significativamente desde a década de 1930, garantindo melhores tratamentos e qualidade de vida para os pacientes. Se você é um médico da atenção primária, pode sentir-se confuso com as diferentes metas de pressão arterial (PA) sugeridas pelas diretrizes atuais. No entanto, o progresso na medicina cardiovascular é evidente e essencial para o controle da hipertensão arterial.

O Passado fica no passado

Na década de 1930, médicos como o Dr. John Hay afirmavam que o maior perigo da hipertensão era o diagnóstico, pois levaria a tentativas equivocadas de reduzi-la. Felizmente, essa visão ficou no passado, e hoje sabemos que tratar a hipertensão é essencial para prevenir complicações cardiovasculares graves.

Como medir a pressão arterial corretamente?

Antes de definir metas terapêuticas, é fundamental garantir a precisão na aferição da pressão arterial. Estudos recentes, como o Cuff(SZ) e o ARMS, demonstram que o tamanho inadequado do manguito pode superestimar a PA em até 20 mmHg. Além disso, a posição incorreta do braço durante a medição pode aumentar os valores entre 4 e 6,5 mmHg. Portanto, o correto manuseio dos equipamentos e a padronização das técnicas são cruciais para um diagnóstico preciso.

Quais são as metas ideais de pressão arterial?

O avanço das diretrizes médicas nos últimos anos tornou as metas de PA mais rigorosas. Estudos como MRC, INVEST e SPRINT demonstraram que a redução da pressão arterial para abaixo de 120 mmHg pode diminuir eventos cardiovasculares e a mortalidade geral. O estudo BPROAD, publicado no The New England Journal of Medicine, reforçou esses achados em pacientes diabéticos, embora um controle mais rígido aumente o risco de hipotensão e eventos adversos.

Benefícios e riscos do controle da pressão arterial

A redução da PA está diretamente associada a menores taxas de eventos cardiovasculares, como infartos e AVCs. Segundo a análise da Blood Pressure Lowering Treatment Trialists’ Collaboration, cada redução de 5 mmHg corresponde a uma queda de 10% no risco de eventos cardiovasculares. Contudo, o impacto absoluto do tratamento depende do perfil de risco do paciente. Pacientes de alto risco obtêm maiores benefícios com reduções agressivas da PA, enquanto pacientes de baixo risco podem apresentar efeitos colaterais sem um benefício proporcional.

Personalização do tratamento: a chave para o sucesso

A solução para essa questão não é complexa: um acompanhamento personalizado do paciente. O ideal é iniciar o tratamento da hipertensão arterial, monitorar a resposta e ajustar a medicação conforme necessário para evitar efeitos adversos, como tontura e síncopes.

Mais importante do que discutir pequenas variações nas metas de PA é garantir que todos os pacientes diagnosticados com hipertensão recebam o tratamento adequado. Hoje, milhões de indivíduos ainda desconhecem seu diagnóstico ou são tratados de forma inadequada. Como comunidade médica, devemos garantir que ninguém viva com hipertensão descontrolada. Afinal, já não estamos mais na década de 1930.