11 de fevereiro de 2025
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Saúde mental: quais os melhores horários para ela

Saúde mental: quais os melhores horários para ela
saúde mental

Foi identificado por pesquisadores um padrão claro de variação diurna na saúde mental e bem-estar. Em uma análise de quase 1 milhão de observações ao longo de dois anos, verificou-se que as pessoas geralmente se sentem melhor ao acordar e pior por volta da meia-noite.

Contexto

O humor varia ao longo das estações, dos dias da semana e até mesmo durante o dia. No entanto, ainda há dúvidas sobre como essas mudanças impactam a saúde mental.

Estudos indicam que fatores fisiológicos e ambientais desempenham um papel crucial nessas oscilações. Hormônios como o cortisol atingem o pico ao despertar e diminuem ao longo do dia, atingindo os níveis mais baixos entre 20h e 4h. Além disso, aspectos externos como luz solar, temperatura, ruído e poluição do ar também influenciam o bem-estar.

Metodologia

A pesquisa analisou dados de 49.218 adultos do estudo COVID-Social Study, da University College London (Reino Unido). Os participantes forneceram um total de 908.769 observações entre março de 2020 e março de 2022, com uma média de 18,5 observações por pessoa.

Os cientistas utilizaram modelos estatísticos para avaliar a relação entre o horário do dia e quatro aspectos da saúde mental:

  • Depressão (PHQ-9);
  • Ansiedade (GAD-7);
  • Bem-estar geral (felicidade, satisfação com a vida e sentido de vida);
  • Percepção de solidão (Escala UCLA-3).

Principais descobertas

  • A saúde mental é melhor ao acordar e piora ao longo do dia, atingindo o pior nível por volta da meia-noite;
  • O bem-estar é maior durante o verão;
  • A variação do humor é maior nos finais de semana do que nos dias úteis;
  • A percepção de solidão é relativamente estável ao longo do dia, enquanto o bem-estar hedônico (prazer imediato) e eudaimônico (realização pessoal) apresentam maior flutuação.

Aplicação prática

Compreender essas oscilações temporais é essencial para otimizar intervenções em saúde mental e melhorar a eficácia dos serviços. Considerar o horário, o dia da semana e a estação do ano pode tornar os tratamentos mais personalizados e eficazes.

“Nossas descobertas reforçam a importância de incluir esses fatores no planejamento de pesquisas, intervenções e serviços de saúde pública”, destacam os autores do estudo.

O estudo foi liderado por Feifei Bu, da University College London, e publicado na BMJ Mental Health.

Limitações da pesquisa

Os pesquisadores apontam algumas limitações:

  • A amostra não foi aleatória, embora ponderada para refletir a população nacional;
  • Não foi possível determinar completamente por que os participantes responderam em diferentes horários ou dias da semana;
  • O estudo foi realizado apenas na Inglaterra, o que pode limitar sua aplicação em outras regiões com climas e latitudes distintas.

Conflitos de interesse

A pesquisa foi financiada pela Fundação Nuffield, pela Rede de Saúde Mental MARCH e pelo Wellcome Trust. Os autores não relataram conflitos de interesse relevantes.

Conclusão

O estudo reforça a importância de considerar os padrões diurnos na saúde mental para melhorar as estratégias de prevenção e tratamento. Para uma abordagem mais eficaz, é fundamental ajustar as intervenções aos momentos do dia em que as pessoas estão mais vulneráveis.